Mais fuba de bombó

Registrado aumento significativo de Fuba no Zaire

  •   fábrica no Nzeto produz meia tonelada ao dia e combate a probreza 
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     : Jornal de Angola
     
     

     

     

    A unidade fabril, sob a gestão de uma empresa israelita, foi inaugurada no passado dia 21 pelo vice-governador do Zaire para o Sector Económico, Alberto Sabino, testemunhada pelo director do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Agricultura, Joaquim Duarte, e pelo embaixador de Israel acreditado em Angola, Raphael Singer.

    Luís Silvestre, engenheiro agrícola de nacionalidade brasileira, explicou em detalhe à reportagem do Jornal de Angola como se processa a transformação de mandioca em fuba de bombó, realçando que a fábrica possui equipamentos de última geração adquiridos do seu país.
    “A farinha não tem nenhum contacto com as mãos humanas. É retirada a pele da mandioca, depois passa pela máquina e fica 48 horas a azedar. Depois é colocada numa outra máquina de classificação de fibras, levada ao forno, peneirada e ensacada em recipientes de 10, 25 e 50 quilogramas”, esclareceu.
    O técnico agrícola adiantou que a fazenda agrícola do Nzeto, localizada na aldeia de Kalamasa, a sete quilómetros da sede municipal, compreende uma área de 500 hectares, 200 dos quais destinados ao cultivo de mandioca e igual dimensão para o milho.
    Na fazenda, prosseguiu, estão ainda instaladas 100 estufas para o cultivo de hortícolas diversas, para além de quatro naves avícolas com galinhas poedeiras que põem cinco mil ovos por dia. O projecto possui também uma fábrica de ração para aves.
    Luís Silvestre revelou que em Outubro último foram colhidas 300 toneladas de hortícolas diversas, entre beringela, cebola, tomate e pepino, comercializadas nos mercados de Mbanza Congo, Soyo, Nzeto e Luanda.
    O engenheiro agrícola referiu que a empresa Agricultiva, em colaboração com a administração municipal do Nzeto, vai preparar 40 hectares de terra, a serem distribuídos aos camponeses locais, para aumentarem a sua produtividade. Os camponeses, acrescentou, vão ser tecnicamente assessorados e recebem pesticidas e sementes, para assegurar que possam produzir alimentos com qualidade aproximada ou equiparada com os cultivados na fazenda. A intenção, elucidou Luís Silvestre, é evitar disparidades em termos de qualidade entre o produto dos camponeses e o da fazenda. A ideia, referiu, tem igualmente por objectivo fazer com que os agricultores tenham uma produtividade elevada que os permita aumentar a sua renda familiar através da venda do excedente.
    “Toda a produção dos camponeses da região será comprada pela nossa fazenda, com excepção das hortícolas”, indicou.

    Combate à pobreza


    O vice-governador do Zaire para o Sector Económico, Alberto Sabino, valorizou a implementação do projecto na região e disse estar inserido nas políticas do Executivo que visam a diversificação da economia e de combate à fome e à pobreza no seio das famílias angolanas.
    “Não podemos unicamente viver do petróleo. Por isso precisamos de descobrir outras potencialidades que possam contribuir para o pleno desenvolvimento do país”, disse, acrescentando mais adiante que o surgimento do projecto, de subordinação central, dá igualmente corpo à estratégia do governo provincial sobre o relançamento do sector agrícola como um factor de desenvolvimento.
    Alberto Sabino pediu aos responsáveis da empresa gestora do projecto para criarem mecanismos de incentivo aos camponeses locais para produzirem mais. O governante lembrou que a província do Zaire possui enormes potencialidades naturais propícias para a prática da agricultura, onde podem ser cultivadas variedades de produtos com predominância para a mandioca.
    “Pensamos que com este empreendimento já não vamos correr o risco de termos produtos a se estragarem nos campos a nível das comunas”, disse Alberto Sabino, para quem o governo provincial vai prestar o apoio necessário no escoamento da produção dos agricultores da região até ao projecto.
    O soba grande do Nzeto, Manuel da Costa, que testemunhou a cerimónia de inauguração da fábrica, considerou ser uma mais-valia para a região, na medida em que vai aumentar a oferta de fuba, um dos principais alimentos de consumo diário das famílias locais.
    O ancião, de 80 anos, enalteceu o empenho do Executivo na busca de soluções para mitigar os problemas básicos das populações na província do Zaire em particular e do país em geral.
    Visivelmente satisfeito, o soba Manuel da Costa encorajoa o Executivo a prosseguir nesta senda, pois decorridos 11 anos de paz, frisou, o país conheceu melhorias significativas nos mais variados domínios da vida social. Adilson da Conceição Ginga, um dos 150 trabalhadores da fazenda, contou à nossa reportagem que com o salário que recebe consegue sustentar a sua família, incluindo os pais que, devido à idade, estão sob seu cuidado.
    “É uma felicidade para mim ter conseguido o meu primeiro emprego aqui. Penso que a moagem vai ajudar muitas famílias a aumentarem a sua renda económica e consequentemente melhorarem a qualidade de vida”, disse Manuel de Oliveira, outro jovem recrutado pela Agricultiva.

    Produção de cereais


    O director do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Agricultura, Joaquim Duarte, adiantou que para além da fazenda agrícola do Nzeto, cujo investimento global ronda aos 29 milhões de dólares, o Executivo tem também em carteira outro projecto de cultivo de cereais, a ser desenvolvido no município do Kuimba (Zaire).
    O responsável esclareceu que neste momento decorre a discussão financeira para a materialização do projecto, mas assegurou que o seu arranque deve acontecer em Janeiro do próximo ano. Mais do que uma unidade de produção agrícola e avícola em grande escala, a fazenda tem também promovido acções de formação dirigidas aos agricultores locais.
    A nossa equipa de reportagem esteve presente na abertura do último seminário realizado em parceria com o Ministério da Agricultura, onde os camponeses receberam conhecimentos sobre “doenças de pequenos ruminantes”, “cultivo de vegetais em estufa”, “anatomia e ave e considerações a ter”, “processamento de moagem de mandioca”, “árvores frutícolas e boas práticas de produtividade” e “cultivo de meristemas de bananas”.
    A realização do ciclo formativo tem como propósito transmitir aos agricultores conhecimentos aprofundados e prepará-los para o acesso ao “know how” que lhes permitirá ter o domínio das várias técnicas aplicadas actualmente na agricultura de uma forma mais rentável.

     

    Fonte:

    Jornal de Angola