Benjamin Netanyahu discursa no INSS

PM discursa no INSS

  •   Discurso no Instituto de Estudos de Segurança Nacional
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    No seu discurso na Conferência Anual do INSS (Institute National Security Studies), "Desafios para a Segurança no século XXI," o Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu falou sobre três tópicos que considerou fulcrais para Israel: o Irão, as negociações com os Palestinianos, e os desafios económicos globais.
    Obrigado pela oportunidade que me foi dada para falar sobre alguns dos maiores desafios que enfrentamos, os maiores alguma vez enfrentados pelo Estado de Israel.
    Irão
      ​Em relação ao Irão, apesar de haver um desentendimento interno sobre a alocação de recursos – qual a quantidade que entra, qual a quantidade que sai – não há qualquer dúvida dentro do regime Iraniano, que continua a ser controlado pelo Ayatollah Khamanei. Não existem desentendimentos, primeiro sobre a sua aspiração em obter a capacidade militar nuclear e também não existem desentendimentos sobre o objectivo em eliminar o Estado de Israel da face da Terra. Eles dizem-no a toda a hora, internamente claro, e ocasionalmente também internacionalmente.
    Como resultado da pressão das sanções ao regime, nas quais tivemos um papel activo em liderar, o Irão chegou a duas situações: de um lado, avançou o seu programa nuclear; enquanto que do outro sofreu mais e mais sanções e a uma determinada altura, esteve muito perto de produzir material físsil para o seu programa nuclear. Mas como resultado da pressão das sanções e posteriormente com o acordo de Genebra, está muito perto em obter armas nucleares. Quando digo, "está muito perto em obter armas nucleares", deve ser percebido que existem três etapas para se produzirem armas nucleares, em manufacturar o material físsil necessário para as armas nucleares: produzindo urânio enriquecido a um nível de 3.5%, urânio enriquecido a 20% e finalmente um rápido salto para o urânio enriquecido a 90%, que é o nível necessário para ter uma arma nuclear.
    O que os Iranianos fizeram, e isto foi o que o acordo determinou, é que iriam recuar o comboio até à primeira estação, mas ao mesmo tempo, estão a modernizar o motor e a torná-lo mais forte para que consigam arrancar de uma só vez, sem estações pelo meio, directamente até aos 90%. O acordo feito em Genebra não é um bom acordo – é um mau acordo. Na nossa estimativa, este acordo atrasou o Irão em seis semanas – não mais – a partir do momento de onde se encontravam, e por isso isso o teste foi e continua a ser o acordo final, se tal acordo for alcançado, para prevenir o Irão em alcançar a capacidade de obter uma arma nuclear.
    Claro que o Irão está a tentar enganar o Ocidente; faz todo o tipo de afirmações e reinvidicações.  Vocês ouvirem Rouhani em Davos recentemente. Ele disse, por exemplo, que são contra qualquer internvenção na Síria ao mesmo tempo que estão completamente envolvidos na Síria. De facto, eles estão a financiar o regime de Assad. Estão activamente a participar no assassínio em massa que está a acontecer. Disse que se opunha ao sofrimento de inocentes; no Irão centenas de pessoas são executadas todos os anos. A maior parte é inocente, incluindo dezenas de pessoas que foram enforcadas a semana passada. Vocês iriam, sem dúvida,definir a maioria deles como inocentes. Foram executados.
     
    Fala sobre o livre acesso à tecnologia; foi isto que Rouhani disse em Davos ao mesmo tempo em que o Irão nega aos seus cidadãos o acesso à internet. E claro, repetiu a sua declaração de que o Irão não procura obter a arma nuclear, que apenas quer ter potência nuclear para fins pacíficos.  O Irão investiu directamente pelo menos 40 mil milhões de dólares nas suas instalações nucleares e no seu programa nuclear, e um valor adicional de 140 mil milhões como custo das sanções. Um país não precisa investir aproximadamente 200 mil milhões de dólares em energia nuclear para fins pacíficos quando é tão rico em outros recursos de energia natural.
    Claramente, e todos percebem isto, e preciso de o dizer – o mundo inteiro percebe isto, mesmo aqueles que sorriem de volta com os sorrisos que recebem. Todos percebem que o Irão quer e aspira obter armas nucleares, e nós iremos apenas apoiar um acordo que garanta o desmantelamento completo da infraestrutura e recursos para as armas militares nucleares do Irão.
    Amos, ouvi-o aqui dizer que não irá dormir à noite enquanto o assunto Iraniano ocupar os seus pensamentos: posso prometer-lhe que pode dormir um pouco melhor porque este assunto ocupa os meus pensamentos todos os dias, durante o dia inteiro. Outra coisa que lhe posso prometer: não iremos deixar que o Irão desenvolva a sua capacidade para produzir armas nucleares. Isto era e continua a ser a política de Israel.
     
    Negociações com os Palestinianos   
    Claro que a ameaça Iraniana não é apenas uma ameaça não convencional; é também uma ameaça convencional, que se concentra principalmente em mísseis e rockets trazidos para o enclave Iraniano que nos rodeia, numa tentativa de nos estrangular de dois lados, a partir do Líbano e a partir da Faixa de Gaza. E, claro, iremos lidar com este assunto separadamente. Não quero expressar-me muito além disto, apenas dizer que nós queremos assegurar que nas negociações políticas com os Palestinianos, consigamos alcançar dois objetivos: um, não queremos, eu não quero, um Estado binacional. E acredito que neste ponto expresso a vontade da maioria dos cidadãos de Israel. E segundo, não queremos outro país que se estabeleça aqui sob o patrocínio do Irão que dispara mísseis e rockets contra nós ou que lança ataques terroristas contra nós. Precisamos alcançar estes dois objetivos, não apenas um deles, os dois.
    Acabámos por ultrapassar uma grave turbulência e depois de cinco anos de uma navegação controlada, responsável e clara, iremos brevemente saber se podemos continuar a negociar com os Palestinianos. Os Americanos estão a trabalhar para formular as posições
    Americanas, se o fizerem. Mas gostaria de enfatizar que estas não são as posições de Israel, mas as dos Americanos.
    Israel não tem de concordar com nada que os Americanos apresentem, mas insistimos em dois pontos fundamentais – em muitos aspectos, mas gostaria hoje e aqui de enfatizar dois deles – nas negociações com os Palestinianos. A primeira é, claro, o reconhecimento do Estado Judaico ou da Nação Judaica do Povo Judeu. Gostaria de explicar a nossa insistência neste assunto, porque está na base do conflito.
    Este conflito dura há mais quase 100 anos. A data que eu escolho para o seu início é 1920, 1921, um ano após o meu avô ter chegado a Jaffa. Quando ele chegou dirigiu-se ao posto Judaico de imigração. Não existiam aí colonos; não existiam colonos como são chamados hoje. Não existiam territórios. Existia uma objecção básica à presença judaica, uma oposição que cresceu e resultou nos ataques em 1929 em Hebron e claro aos grandes motins de 1936-1939.
    Esta luta, que continuou ao longo da Guerra da Independência e depois até 1967 – esta luta não foi sobre os territórtios da Judeia, Samaria e Gaza (estas estiveram em mãos Árabes). Esta luta foi contra qualquer existência de um Estado Judaico, contra o Sionismo ou qualquer expressão do mesmo, qualquer Estado de Israel em qualquer fronteira. O conflito não é sobre estes territórios; não é sobre os colonatos; e também não é sobre um Estado Palestiniano. O movimento Sionista concordou em reconhecer um Estado Palestiniano durante o plano de partição e numerosos governos também concordaram posteriormente em reconhecer um Estado Palestiniano. Mas este conflito continuou por uma razão: uma teimosa negação em reconhecer o Estado Judaico, o Estado Nação do povo Judaico. Para que o conflito acabe precisam de reconhecer que na nossa terra, esta terra, na pátria Judaica, existem dois povos.
    Quando falamos sobre um acordo, falamos sobre um acordo no qual somos questionados pelo mundo e pelos Palestinianos para reconhecer o Estado Nação da Palestina. Será possível que ninguém os questionará para reconhecer o Estado Nação de Israel? Nós não somos estranhos nesta terra ou para esta terra; temos estado aqui continuamente por quase 4000 anos – 3800 anos. Esta é a terra onde a nossa identidade foi forjada; esta é a nossa pátria; aqui é o nosso país que renasceu. E os Palestinianos devem aceitar isto. Caso contrário, o que nos estão a pedir para fazer é permitir o estabelecimento de um Estado Palestiniano que irá continuar a subverter a fundação para a existência de um Estado Judaico, que irá tentar inundar-nos com refugiados, que irá avançar com reinvidicações irredentistas de dentro do território do Estado de Israel, reinvidicações territoriais, reinvidicações nacionais. Dizemos que a solução é dois Estados para duas Nações e o mútuo reconhecimento de ambos.
    Não é possível que se peça a Israel para preencher um dos lados da equação e que aos Palestinianos não lhes seja pedido para completar o outro lado da equação. Isso é um absurdo. E, portanto, a nossa primeira e inabalável exigência é o reconhecimento. Acabar com o conflito não significa apenas renunciar ao direito de retorno, mas em primeiro lugar o reconhecimento do Estado-nação do povo Judeu, o reconhecimento do Estado Judaico. Se assim quiserem, diria que este é o primeiro passo para a fundação para a paz entre nós e os Palestinianos.
     
    Desafios económicos globais
    ​Disse que havia um terceiro desafio, e que era a economia global. Não é apenas um desafio, é uma tremenda oportunidade. Estamos de facto a enfrentar duas crises: a turbulência regional, que pode ser vista uma vez por século, e uma revolta global. E não é só a turbulência económica global, que Israel de forma incomum e extraordinária venceu por causa de políticas responsáveis​​; é uma grande oportunidade e uma revolução muito maior.
    Estamos na era do conhecimento, numa explosão de conhecimento, e a economia é globalizada. Isso dá ao Estado de Israel uma tremenda oportunidade. Não só produzimos mais produtos baseados em conhecimento per capita no nível mais alto do mundo, mas podemos fazer muito mais. Mesmo em termos absolutos, o nosso produto tecnológico é grande, mesmo muito grande. Por exemplo, no campo cibernáutico, criamos cerca de 50 vezes mais do que o nosso tamanho relativo. Isto significa que o Estado de Israel tem o mesmo peso que um país com uma população de 400 milhões em relação a estes produtos, e isso dá-nos uma oportunidade, juntamente com o desenvolvimento da economia global, para chegar a muitos mais mercados que teriam sido muito difíceis de alcançar se não fossem por essas duas tendências, a globalização e tecnologia, especialmente a internet.